Criar

Porque se ladeia o vulto de pala capilar e tronco sonego com o culto da deixa fácil, talvez o que é criação seja um halo tenso a si e encontra-se em Portugal, o fenómeno da sublimação, um sujeito passivo de cariz febril. Se há Universo, também deveríamos ter uma concórdia; aprendi que a luta é incessante e tal cisne digno na aparência mas que tem de crescer para fortalecer o carácter. Porque a compreensão urra menos veloz que o espaço interior do justo. Um génio não veio para ser compreendido, veio para compreender. Disse-me Paulino Vieira. Recrudesce o Outono e devemos compreender esta aparente paternidade que serpenteia o curso da vida. Se interrompi o caminho foi por espírito de sacrifício e volto sempre, mesmo no adeus de estrada, levando aos ombros o alemão perdido em Greifswald. Mais tarde chego à casa azul, falo com o Diabo (que afinal é homossexual, tributo ao Senhor João que acenava a toda a Lisboa) e deito-me emotivo sem querer falar sobre os temas que poupam caminho na alegria elementar do pensador. Deixo à navegação o fato que suspende a criação devido à ira de um culto que destrona o marco geodésico do caminho certo que reside na ascensão, daí apreciar lacraus ao sol. Criar é libertar a tensão física, social e mental.