Excerto de, “Crónicas” de Eduardo Alexandre Pinto

https://www.amazon.com/Cronicas-Cr%C3%B3nicas-Eduardo-Alexandre-Portuguese/dp/1517311624/ref=sr_1_12?s=books&ie=UTF8&qid=1472814204&sr=1-12&keywords=eduardo+alexandre+pinto

 

Dedicado ao Senhor Lee
Ali à Calçada da Pampulha, na Rua das Janelas Verdes, corria o ano de 1996, encontrei um
amigo, de nome Lee. Tinha um restaurante, que ao primeiro olhar, parecia uma tasca. Era um
restaurante chinês, entre muitos outros estabelecimentos que vasculhava, na altura em que
trabalhei numa loja de conveniência. O Senhor Lee tomava conta das mesas e a esposa
cozinhava. Ficava perto de um posto da GNR, muitos soldados iam lá, assim como alguns
casalitos enamorados. Eu tornei-me cliente habitual, como amigo pessoal do Senhor Lee.
Gostava de falar com ele, do seu passado, do seu filho, de ler o Correio da Manhã, com uma
Coca-Cola, enquanto esperava o meu prato, nos meus 45 minutos de refeição. Mais tarde levei
lá a minha mãe e um amigo dela e o meu amigo, fazia um preço muito baixo, para três pessoas e
ainda me guardava a maior fatia de bolo de bolacha. Um dia estava no largo do Cais do Sodré
e pontapeava uma lata, o Senhor Lee, ia dentro de um autocarro e acenou-me com simpatia. Na
refeição seguinte, disse-me: ‘Alexandre, que alegria estava naquele dia!’ Muito depois a esposa
adoeceu e ele teve de fechar o restaurante. Era um homem bom. Voltei lá a perguntar por ele,
mas ninguém sabia do casalito. Obrigado Senhor Lee.